Como essa conta funciona
Quitar uma dívida é uma corrida entre o que você paga e o que a taxa acrescenta no saldo. Se a parcela só cobre os juros, o principal não anda e o prazo vira infinito. A condição mínima, no juro composto mensal, é pagamento > saldo × i. Acima disso, o número de meses até zerar é n = ln[PMT / (PMT − S × i)] / ln(1 + i), a mesma lógica invertida da prestação Price. O total desembolsado é PMT × n, e o juro restante é esse total menos o saldo de hoje.
Exemplo duro: R$ 8 mil no rotativo ou no crediário a 3% ao mês, pagando R$ 400. Os juros do primeiro mês são R$ 240, então R$ 160 abatem o principal. A dívida não some em 8.000 / 400 = 20 meses — some em mais tempo, porque todo mês a taxa ainda morde o que restou. Se o pagamento caísse para R$ 230, a conta desta página recusa o cenário: você mal cobre o juro e o saldo cresce. Esse recado vale mais do que qualquer “dica de educação financeira” genérica.
A ordem de ataque, quando há várias dívidas, costuma ser taxa efetiva, não o valor da parcela. Cartão e cheque especial primeiro; crediário de loja depois; financiamento de bem que você usaria de qualquer jeito, por último — desde que a parcela caiba. Há quem prefira o método da bola de neve (zerar a menor dívida primeiro) por motivo psicológico. Os dois funcionam se o extra mensal for real e se a taxa mais cara não estiver explodindo enquanto você “comemora” a menor.
Negociar aparece quando o pagamento possível está abaixo do juro. Feirão de dependência, acordo com desconto de encargos e portabilidade para uma taxa menor mudam o i da fórmula e, com ele, o n. Cuidado com “parcela menor, prazo maior” que só espalha o juro. Peça o CET do novo contrato e rode de novo esta calculadora. Se o banco oferece crédito com garantia (consignado, home equity) para limpar o rotativo, a conta pode fechar — o risco é transformar uma dívida de três meses em uma de quatro anos e voltar a usar o cartão.
Enquanto paga, evite alimentar o mesmo buraco. Congelar o cartão, cortar débito automático de luxo e desviar qualquer extra (13º, IR a restituir, bônus) para amortização reduz n de forma não linear: cada real que some do saldo hoje deixa de gerar juro até o fim. Depois de zerar, o valor que era parcela vira aporte na reserva de emergência; senão o próximo imprevisto reabre a fatura. Use o resultado daqui como prazo-alvo no aplicativo, não como sentença. Se os números não fecharem, a resposta honesta é renegociar ou vender um ativo — não “torcer para o juro diminuir sozinho”.
Estimativa educativa com os números que você informou. Não é recomendação de crédito, investimento ou decisão trabalhista. Contratos, CET, holerite e tabelas oficiais prevalecem.