DECOLANDO AS FINANÇAS

Crédito

Consórcio × financiamento

Compare custo total e parcela de consórcio e financiamento Price.

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Como essa conta funciona

Consórcio e financiamento vendem o mesmo desejo — o bem — com mecânicas opostas. No financiamento, o banco adianta o dinheiro, você sai com o carro ou o imóvel e devolve o principal com juros, em geral na Tabela Price. No consórcio, um grupo se programa para comprar o bem em série; você paga a carta, a taxa de administração e o fundo de reserva, e só leva o crédito na contemplação (sorteio ou lance). Quem precisa do bem neste semestre não está no mesmo produto de quem aceita esperar.

O financiamento desta comparação usa Price: prestação fixa sobre o valor menos a entrada, com a taxa mensal que você informar. O custo total é a soma das parcelas mais a entrada. O consórcio é modelado de forma didática: o total vira carta × (1 + taxa de administração + fundo de reserva), espalhado em n parcelas iguais. Na vida real há correção da carta pelo índice do grupo, seguro, lance embutido e a chance de ser contemplado no mês 2 ou no mês 59. A parcela “média” daqui não promete o mês da chave.

Exemplo: bem de R$ 50 mil, 60 meses, financiamento a 1,59% ao mês sem entrada versus consórcio com 16% de administração e 1% de fundo. O financiamento entrega o bem já e cobra um total inchado pelos juros. O consórcio dilui cerca de R$ 58,5 mil e, se a contemplação atrasar, você continua a pé ou de aluguel — custo que não entra no carnê e deveria entrar na sua cabeça. Se a diferença de total for pequena e você precisa do bem agora, o juro pode ser o preço da urgência. Se você pode esperar e a taxa de administração for baixa, o consórcio pode sair mais barato em reais nominais.

Armadilhas dos dois lados. Financiamento: CET escondido em seguro, tarifa e IOF; prazo longo que mascara o juro; entrada “facilitada” que na verdade é outro carnê. Consórcio: taxa de administração alta demais (há grupos acima de 20%); fundo de reserva que não volta inteiro; lance que exige um dinheiro que você ainda não tem; correção da carta que empurra a parcela no meio do caminho; venda de cota contemplada com ágio duvidoso. Leia o regulamento do grupo com o mesmo cuidado que você leria o contrato do banco.

Decida com três perguntas, não com o discurso do vendedor. Uma: preciso usar o bem em qual mês? Duas: a parcela do financiamento cabe sem comer a reserva? Três: o custo total, nesta calculadora, justifica esperar? Se a resposta à primeira for “ontem”, financiamento ou compra à vista. Se for “em dois anos, se Deus quiser”, consórcio ou poupança programada podem ganhar — rode também a calculadora de juros compostos com o valor da parcela para ver o que você acumularia em vez de entrar no grupo. Nenhuma das duas modalidades é investimento; ambas são jeitos de antecipar ou ratear consumo. A conta só deixa o preço de cada jeito visível.